Por: Valéria Freitas
. Vó Maria fazendo renda. Foto: Valéria Freitas
A
renda de bilro surgiu no século XV, na Itália, chegou ao Brasil com a colonização
portuguesa. Na Zona Sul de Natal encontra-se a Vila de Ponta Negra, local
cultural e rico em histórias. A renda de bilro faz parte da cultura do bairro, pois próximo à igrejinha fica um ateliê onde todas as tardes, das 12h às 17h, as artesãs se reúnem para fazer renda.
Maria de Lurdes de
Lima, de 82 anos, mais conhecida como Vó Maria, tem uma simpatia que encanta a
todos que chegam no local. “Eu faço renda desde os meus sete anos de idade e
aprendi a fazer com rendinha estreita, renda em metro, hoje só querem fazer com
renda grosseira, querem fazer roupa”, disse.
Para
Maria de Lurdes a renda tornou-se diferente na produção de antigamente para
hoje, porque as rendeiras produzem mais pensando no lucro, não fazem exatamente
porque gostam da arte de tecer.
O bairro vem sofrendo transformações e isso afeta diretamente nas
finanças, ou seja, os moradores tentam encontrar outra maneira de sobrevivência,
fazendo da sua arte um negócio próprio. O
trabalho é manual, as peças demoram dias, semanas, ou até mesmo, meses para
ficarem prontas. É um trabalho demorado e feito com cuidado, e mais valorizado por turista do que pelos próprios potiguares.
As peças têm preços variados, as mais simples custam aproximadamente 30 reais, já as
mais detalhadas chegam ao valor de 200 reais. Segundo Maria da Glória de
Lima, de 56 anos, filha da Vó Maria, elas passam meses sem
vender nenhuma peça.“Passei
seis anos sem produzir nada de renda, meses atrás voltei a rendar algumas peças
pequenas”, conta a filha.
Os
jovens da Vila de Ponta Negra não têm interesse em aprender, levar a diante essa cultura, essa tradição local, “tenho netas e filhas, apenas uma sabe fazer
renda, mas mesmo assim não gosta de fazer”, lamenta Vó Maria.
“A
tradição aqui em Ponta Negra já era para ter acabado, não acabou porque meu
filho gosta de cultura e consegue alguns trabalhos e cursos para eu fazer”,
conta ela.
Ela
aprendeu a fazer a renda com mulheres que ela conheceu, em Pirangi, e pretende
levar essa tradição para futuras gerações. “Eu tenho um amor tão grande pelo meu
trabalho, pra mim é uma coisa muito boa, enquanto eu existir e Jesus me der
mentalidade pra criar eu vou trabalhar com a renda de bilro”, afirma Vó Maria.
